Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

riscos_e_rabiscos

.

.

A vida, a família e os efeitos da crise.

Tenho estado a tarde inteira a corrigir testes. Cada teste que corrigia fazia-me pensar no aluno a quem pertencia e, de seguida, fazia associação com outros.

 

Comecei a pensar quem ficava lá na escola e quem mudaria de escola. Poucos serão os que lá ficam uma vez que alguns já lá estão desde o pré-escolar. E depois há os outros que vão mudar sim, mas por outros motivos. Há aqueles que vão sair daquela escola particular para mudar para uma pública; e há aqueles que vão mudar de escola porque vão para outro país.

 

Infelizmente, a conjuntura económica está a obrigar à desestruturação das famílias, ao abandono do país onde nascemos e que nos devia dar valor e proporcionar condições de vida razoáveis e não de miséria ou de sobrevivência. E com isto refiro-me a alguns alunos que vão sair da escola porque também vão mudar de país. As condições de vida e de trabalho, aqui, estão esgotadas e a única solução que estes núcleos familiares tiveram foi a emigração. 

 

Embora não saiam para além dos limites da União Europeia, foram obrigados a deixar o seu país e toda uma vida (que foi entrecortada) e começar tudo de novo num país estranho e com uma língua que, se calhar, até não se domina. Nestes caso, não se vai sozinho ainda jovem e com a cabeça cheia de sonhos à procura de trabalho para depois se mandar ir a mulher e, a partir daí, começar-se uma vida a dois e formar uma família. Não. Agora vai-se numa altura da nossa vida em que já devíamos ter estabilidade financeira e em que podíamos usufruir alguns prazeres da vida sem ter que fazer contas e pensar no amanhã.

 

Imagino que a nível psicológico deva ser arrasador. Arregaçar as mangas e seguir em frente já não é fácil, muito menos deverá ser num outro país e naquela altura da vida em que apetece tudo menos recomeçar de novo. 

 

Mas é isto que o Passos Coelho quer, não é? Que os jovens e os menos jovens emigrem em busca de melhores condições de vida.  Não é ele que diz que "o desemprego é uma oportunidade para mudar de vida"? Concordo contigo, pá. Realmente muda-se de vida mas não por opção e sim porque somos obrigados a isso. Gostava de ver o Passos Coelho com uma mão atrás e outra à frente a ter de ir à luta sem ajuda de ninguém e com a responsabilidade de mulher e filhos às costas.

 

Pensar nos meus alunos que são obrigados a partir, dói-me.